domingo, 4 de janeiro de 2015

Garota exemplar: o filme e as histórias que inventamos para impressionar

Via:http://cinepop.virgula.uol.com.br


Garota exemplar (Gone Girl) foi um daqueles filmes em que comecei a assistir sem medo de me decepcionar, por confiar inteiramente no trabalho do diretor David Fincher. Tanto que nem li a sinopse antes de assistir e tudo ocorreu como o previsto, adorei o filme. O enredo gira em torno de um casal suburbano que leva uma vida comum, até que a esposa desaparece no 5º aniversário de casamento. O que se segue, é uma trama recheada de mentiras, onde o marido é o suspeito nº 1. 

Um dos momentos do filme que me fez pensar e pensar e pensar, é uma reflexão sobre os personagens que criamos ao assumirmos um relacionamento amoroso. Acho que todos nós já fizemos isso. Sabe aquela mentirinha que contamos para agradar o parceiro, ou para nos transformar em pessoas mais interessantes, diferenciadas, exóticas do que realmente somos? Como ir naquele bar de música ao vivo e fingir adorar pagode, ou falar que torce para um time de futebol mesmo não gostando do esporte ou quem sabe, encarar longos passeios à pé quando a vontade é de estar jogada no sofá. Coisas inofensivas. O fato, é que todos queremos parecer melhores do que somos quando estamos apaixonados, talvez seja uma artimanha impregnada em nosso DNA para fins reprodutivos. Abrimos concessões, controlamos nosso temperamento, moldamos nossa personalidade, de forma que fique só o que é aceitável e encante o outro. 

O problema, é que inequivocamente a paixão  acaba sendo tragada pela rotina, principalmente quando se divide o mesmo teto. Não há como criar um personagem e viver 24 horas no papel, não existe um ator que seja tão bom assim. E então, começam os problemas. A mulher sexy que frequenta aulas de pompoarismo cede à mulher que prefere a tranquilidade de um bom livro. O homem romântico que vai com você ao shopping, de repente começa a declinar de cada convite para te acompanhar. Não é errado ser o que é, ao contrário, é louvável. O "errado" aqui, não sei nem se posso aplicar esse termo, é criar uma ilusão, apostar numa imagem fictícia.

Quem já não ouviu alguém dizer, com os olhos arregalados de surpresa, que o fulano mudou completamente após o casamento? Que não reconhece mais o parceiro? Não acho que alguém mude, apenas começa a se revelar verdadeiramente e nem sempre o outro está preparado para assumir a realidade e descartar a fantasia criada. Ou talvez, não goste do que vê, já que prefere a miragem anteriormente apresentada. Não seria mais fácil viver sem máscaras, apresentar o que se é mesmo correndo o grande risco de ser rejeitado? Não sei. É o caminho mais difícil, porém o mais seguro, já que quem se relacionar de você é porque realmente gosta de você. Eu quero viver sem fantasias ilusórias e quero ser amada sendo o que sou. E sinceramente, acho que esse é um desejo universal.



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